Banalização do Sacramento do Matrimônio
Estamos vivendo dias da banalização de tudo o que é moral, sexual, ético, vital, dos papéis hierárquicos, tirando a autoridade dos pais, professores, policiais, presidentes, do próprio Deus. Tudo em nome de uma rejeição ao “moralismo” e ao conceito de “normal” que nos foi imposto. Mas, são os conceitos de moralidade que nos permitem à liberdade sem perder a compostura e a responsabilidade a altura de nossa dignidade.
No auge da banalização está o Sacramento do Matrimônio e a família, cujos conceitos estão sendo destruídos e re-inventados. Hoje são família os relacionamentos homoafetivos com filhos adotivos; a bigamia; apoiar a filha no aborto; os pais terem de ceder suas camas para o(a)s filho(a)s dormirem com a(o)s namorada(o)s… Se você não está neste conceito de família você é um retrógrado, fanático religioso e moralista de mão-cheia.
A sociedade nos pressiona para que engulamos a seco a idéia de que o casamento pode ser desfeito da forma mais simples.
O Matrimônio é sempre sério e complexo, sem brincadeiras. Se o casal não se ama não deve se casar, pois forças tremendas se levantam para a nulidade matrimonial.
A batalha começa ainda no namoro que está sujeito à aprovação e bênção dos pais. Muitos “moderninhos” dizem que não há mais necessidade da benção paterna, e é cada um por si. Os pais, na maioria das vezes, assumem o prejuízo de um casamento mal sucedido, onde os filhos insistem que seus genitores não devem influenciar nas suas opções.
Outra forma de batalha é a aquisição da casa própria, que o governo diz incentivar, mas os requisitos são elevadíssimos, visto a necessidade de salário fixo, margem consignável, salário arrochado, e o planejamento que deve prever as outras contas fixas que o casal terá.
Os filhos de um casamento fracassado sofrerão e os traumas oriundos da separação dificilmente serão superados e pior, permanecerão para sempre.
O grupo social em que o casal está inserido influencia muito para a manutenção e falência do casamento. Os homens são estimulados pelos pseudo amigos a buscarem uma aventura amorosa extraconjugal e as mulheres estão acompanhando o mesmo pensamento. Fora isto, nota-se que mulheres solteiras, ex-casadas e até casadas estão facilitando as investidas desses homens casados e sem compromisso.
Os mais velhos em vez de zelarem pela manutenção dos casamentos dos jovens parecem que estão incentivando a separação.
Precisamos a todo custo gerar jovens responsáveis que tomem a decisão pelo casamento com convicção de que não tenhamos famílias desestruturadas, filhos sofrendo, filhas depressivas, crianças desamparadas, prostituição, liberalismo e doenças sexualmente transmissíveis incontroladas.
É preciso orientar os filhos adequada e santamente.
A questão é que o casamento foi elevado a Sacramento por Cristo Jesus (cf. Catecismo Igreja Católica, § 1601). Nosso Senhor não apenas abençoou o matrimônio, mas o colocou como sinal para fortificá-lo e santificá-lo. O matrimônio entre um homem e uma mulher não é apenas um sim livre de ambos, mas a representação do casamento entre Cristo e Sua Igreja.
Cristo, que é Deus e Senhor, abriu mão de toda a Sua Glória e fez-se homem, veio morar conosco e em tudo se fez humano, exceto no pecado. Sendo Deus, desceu até o mais baixo nível da humilhação a fim de nos livrar de toda e qualquer amarra com o Inimigo. Fez isso por amor, e também para que entrássemos em Seu Reino Eterno, onde a alegria não terá fim. Isto é para nós a lição do que é o matrimônio. Casar é santificar o outro, abençoar o outro, ceder pelo outro, dar-se pelo outro, querer para o outro tudo o que se espera para si (sem saber se receberá algo em troca). Só é possível fazer isso se o fizer com amor. E amor é uma atitude da razão. Jamais a emoção é capaz de suportar tantas coisas em nome do bem ao outro.
Os casamentos temáticos aumentam assustadoramente no Rio Grande do Sul, onde a fantasia prevalece e o sentido religioso e sacramental é pisoteado sem dó nem piedade.
Em primeiro lugar, a nossa sociedade precisa entender que o casamento não é um evento social e muito menos um conto de fadas irresponsável. A gente não vai lá se mostrar àquela vizinha que jurava que iríamos ficar para titia. Casamento é um compromisso seriíssimo e para sempre! Então não dá para você fazer um casamento baseado num conto de fadas. Quem vai assumir o compromisso é você e juntamente, seu cônjuge. Como se fará isso se sobe ao altar dois personagens, e não os verdadeiramente interessados nisso? Quem casou neste dia? Os personagens das fábulas e cenas hollywoodianas e da Disney? Ou aqueles que se escolheram mutuamente sem medo do “para sempre” e de todas as consequências que derivam disso?
Em segundo lugar, casamento não é conto de fadas – e os casados que o digam! –. Casamento é Calvário. Cruz. O “felizes para sempre” é uma enorme deturpação da realidade. O casamento não é infelicidade, mas também não é mar-de-rosas, e não tem nada a ver com “E o Vento levou”. E tudo isso porque, para fazer a felicidade do outro, temos, às vezes, que ser infelizes. Há situações em que queríamos fazer tal coisa que o(a) outro(a) não quer. Por amor, cedemos. Há momentos em que o cônjuge está completamente perdido, trazendo infidelidades, desrespeitos, dor… E a gente tem que suportar em nome do amor, da promessa feita a Deus diante das testemunhas, em nome do amor que temos pelo outro(a). Como, então, achar que o matrimônio pode ser comparado a um conto de fadas? Nem aqui, nem no “país das maravilhas”…
O Papa Francisco já falou repetidas vezes, e na catequese sobre a família no dia 06 de maio de 2015, refletiu sobre a beleza do Matrimônio cristão. O Pontífice lembrou que o matrimônio é um sacramento, não simplesmente uma cerimônia que acontece na igreja com direito a flores, fotos e roupas especiais.
O casamento dá início a uma nova comunidade familiar. São Paulo falou desse amor entre os cônjuges como uma imagem do amor entre Cristo e a Igreja. Essa analogia é imperfeita, mas dela se deve colher o sentido espiritual.
“O marido – diz São Paulo – deve amar a esposa ‘como a própria carne’; amá-la como Cristo ‘amou a Igreja e se doou por ela’, Amar a sua esposa como Cristo ama a Igreja? Isso não é brincadeira, mas coisa séria!”.
O Sacramento do Matrimônio é um grande ato de fé e de amor e testemunha a coragem de acreditar na beleza do ato criador de Deus e de viver aquele amor que leva a ir sempre além de si mesmo.
Essa decisão de se “casar no Senhor” contém também uma dimensão missionária. “De fato, os esposos cristãos participam, como esposos, da missão da Igreja. É preciso coragem para isto! Por isso quando eu saúdo os recém-casados, digo: ‘Eis os corajosos’!, porque é preciso coragem para amar-se assim como Cristo ama a Igreja”.
A aliança conjugal é algo que enriquece a Igreja, assim como cada casamento deteriorado a empobrece. São Paulo tem razão ao dizer que o Matrimônio é um grande mistério. “Homens e mulheres, corajosos o suficiente para levar este tesouro nos ‘vasos de argila’ da nossa humanidade, são um recurso essencial para a Igreja e para todo o mundo”.

 

* Texto baseado nos escritos publicados nos sites:

 

In Iustitia Christi
Novo Hamburgo, 28 de março de 2018.