Fonte: www.cnbb.org.br

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

O cristão é chamado a iluminar a sua experiência humana com a luz do mistério pascal. Sua vida ganha sentido quando compreende que o desafio de todos os dias é deixar a morte e a ressurreição de Cristo iluminarem sua própria vida. Isto comporta um estilo de fé pascal que penetra todas as dimensões da existência humana.

Pessoalmente, cada um há de se perguntar sobre a própria disposição para morrer e ressuscitar nas relações familiares, em meio à labuta do trabalho, no contexto dos projetos pessoais. Tantas vezes temos muita dificuldade em perder, em aceitar mudanças, em acolher as surpresas. Diante das dificuldades julgamo-nos, às vezes, abandonados por Deus.

Dom Hélder Câmara aconselhava: “Aceita as surpresas que transtornam teus planos, derrubam teus sonhos, dão rumo totalmente diverso ao teu dia e, quem sabe, à tua vida. Não há acaso. Dá liberdade ao Pai, para que Ele mesmo conduza a trama de teus dias…”. Edith Stein, afirmava: “Não sei para onde estou indo, mas sei que Deus está me conduzindo”.

O autoesvaziamento cotidiano é o sinal pascal de nossas vidas. Se Aquele que foi crucificado não está mais na cruz, no entanto não deixou de ter em suas mãos e em seus pés as marcas dos cravos. O Ressuscitado é o Crucificado. A cruz como símbolo dos cristãos está a indicar que o mistério da paixão, morte e ressurreição nos acompanha dia e noite. Viver de modo pascal significa abraçar todos os dias o mistério da cruz com os olhos fixos n’Aquele que a venceu. Cristo ressuscitou e venceu a morte!

Não apenas ontem, mas hoje e para sempre. Assinalados pela cruz de Cristo já no batismo, haveremos de viver toda nossa história como o Senhor nos indicou: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mc 8, 34). A autenticidade da vida cristã se mede pelo ato de abraçar a cruz e de vencê-la com Cristo.